

Agressões políticas contra mulheres aumentam 11 vezes entre 2022 e 2026
Processos registrados pelo TSE passaram de 15 para 177 no período. Levantamento aponta 134 casos de violência política durante a campanha até o primeiro turno das eleições de 2026.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que os processos relacionados a agressões políticas de gênero aumentaram 11 vezes entre 2022 e 2026, passando de 15 para 177. O crescimento foi registrado no mês em que é lembrado o Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher, celebrado em 10 de outubro.
Levantamento das organizações Terra de Direitos e Justiça Global identificou 134 casos de violência política durante a campanha até o primeiro turno das eleições, realizado em 4 de outubro. Mulheres foram vítimas em 70 ocorrências, o equivalente a 52,2% do total. Entre os 102 episódios dirigidos exclusivamente a candidatas e candidatos, 60 tiveram mulheres como alvo.
A Central de Atendimento à Mulher registrou 1.564 denúncias de violência política contra mulheres entre janeiro e agosto de 2026. Desse total, 842 denúncias, ou mais de 53%, envolveram mulheres pretas e pardas; 590 foram relacionadas a mulheres brancas e 132 a mulheres de outras raças.
Um dos casos citados é o da deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), que denunciou à Polícia Civil ameaças de morte e violência sexual recebidas durante a campanha. Segundo ela, as mensagens continham ataques machistas e racistas, além de ameaça de estupro, e seus dados pessoais foram expostos. O partido contratou segurança armada para protegê-la.
A secretária Nacional de Articulação Intersetorial e Interfederativa e Participação Política do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy, afirmou: “É assustador porque as violências políticas são, no fundo, questões estruturais, sejam elas no limite da ameaça à vida, sejam essas violências cotidianas e veladas que tentam desestimular a participação da mulher na política.” Denúncias podem ser feitas pelo Ligue 180, pelo WhatsApp (61) 9610-0180, por e-mail e por outros canais institucionais; em emergências, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.
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