

Catira preserva tradição caipira em diferentes regiões de São Paulo
Com viola caipira, palmas e sapateados, a Catira mantém viva uma expressão cultural ligada à identidade do interior paulista. Grupos de Barretos, Araçatuba e Itapevi atuam na transmissão da prática para novas gerações.
Também chamada de Cateretê, a Catira combina versos acompanhados por viola caipira com a percussão corporal dos dançarinos. Em duas fileiras opostas, os integrantes executam palmas e sapateados sincronizados, geralmente com botas de couro, enquanto os violeiros conduzem a apresentação.
A manifestação tem origem no período colonial e reúne referências indígenas, africanas e ibéricas. Sua difusão pelo interior paulista e por outros estados ocorreu principalmente pelas rotas de tropeiros. Os versos, conhecidos como recortes, abordam temas como a vida no campo, a religiosidade e histórias do interior.
Barretos é apontada como um dos principais redutos da tradição, com grupos que promovem oficinas e formam integrantes mirins. Entre eles está o Catira Esporas de Prata, criado em 1998 por Francisco Santana Junior e Fred. Segundo Francisco, “A catira exige concentração, pensamento rápido e um esforço físico grande”.
A prática também está presente em municípios como Olímpia, Paraibuna, São Luiz do Paraitinga, São José do Rio Preto, Franca, Piracicaba e Sorocaba. Em Araçatuba, o Grupo de Catira Tradição Araça atua em parceria com o Centro de Tradições Culturais. Já em Itapevi, a Associação Família Du Catira foi fundada oficialmente em 2018 por Carlos Eduardo da Silva e recebeu, em 2020, reconhecimento da Organização Internacional de Artes Folclóricas (IOV), entidade vinculada à Unesco. Em 2025, o grupo foi indicado ao Prêmio Inezita Barroso, da Assembleia Legislativa de São Paulo.
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