

Dono da Voepass admite à PF omissão de panes antes da queda em Vinhedo
José Luiz Felício Filho afirmou à Polícia Federal que sabia de uma cultura de omissão de falhas nos diários de bordo e que havia sido alertado pessoalmente por diretores da Anac. O empresário também reconheceu problemas na aeronave que caiu em Vinhedo, em 2024.
José Luiz Felício Filho, dono da Voepass, admitiu aos investigadores que tinha conhecimento de uma prática de pilotos que evitavam registrar panes nos diários de bordo para não manter aeronaves em solo. Segundo o relatório da Polícia Federal, diretores da Anac também o alertaram pessoalmente sobre esse comportamento ao longo dos anos.
A PF apontou a omissão deliberada de registros de manutenção como um dos elementos centrais do desastre. Ao todo, 16 pessoas foram indiciadas, entre diretores das áreas de operações, manutenção e segurança, mecânicos e despachantes operacionais.
Em depoimento prestado em 4 de agosto de 2026, Felício Filho reconheceu que a aeronave tinha problemas e afirmou: “A aeronave não deveria estar naquela condição, mas também não deveria ter sido despachada para aquela rota.” De acordo com a investigação, o avião decolou com falhas conhecidas no sistema de degelo para uma região com previsão de gelo severo.
O voo 2283 caiu em um condomínio de Vinhedo (SP) em 9 de agosto de 2024. A aeronave transportava 58 passageiros e quatro tripulantes, todos mortos. As investigações apontaram perda de controle em voo associada ao acúmulo de gelo, à inoperância do sistema de degelo e à não execução imediata de procedimentos de emergência pela tripulação.
A reportagem informou que procurou a defesa de Felício Filho e dos demais indiciados, mas não recebeu resposta até a última atualização. Em nota, a Voepass afirmou que a segurança operacional sempre foi sua prioridade, que cumpria protocolos de segurança e manutenção e que colaborou com as autoridades durante as investigações.
Fonte: g1.globo.com
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