

Dono da Voepass é indiciado pela PF após acidente que matou 62 pessoas
José Luiz Felício Filho foi incluído entre os 16 indiciados pela Polícia Federal no inquérito sobre a queda do voo 2283, em Vinhedo. Segundo as autoridades, ele sabia de problemas na frota e teria contribuído para a cultura de omissão de falhas na empresa.
José Luiz Felício Filho, proprietário e presidente da Voepass, foi indiciado pela Polícia Federal no inquérito sobre o acidente do voo 2283, que matou as 62 pessoas a bordo em 9 de agosto de 2024. A aeronave caiu em um condomínio em Vinhedo (SP) durante a rota entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP).
Segundo as autoridades, Felício Filho tinha conhecimento de problemas na frota e é suspeito de reforçar uma cultura organizacional voltada à omissão de panes. A investigação apontou que falhas no sistema de degelo foram identificadas antes do voo, mas não foram registradas nos documentos oficiais.
Após o acidente, o empresário concentrou a liderança executiva e demitiu diretores de áreas como manutenção e segurança operacional. Ex-funcionários também denunciaram que a empresa priorizava a disponibilidade das aeronaves em detrimento dos alertas sobre problemas técnicos.
Piloto comercial há mais de 30 anos, Felício Filho começou na aviação acompanhando o pai, José Luiz Felício, fundador da então Passaredo. Ele assumiu a presidência em 2002 e, em 2019, liderou a aquisição da MAP Linhas Aéreas, operação que contribuiu para a mudança da marca para Voepass.
A PF indiciou 16 pessoas, entre elas diretores, pilotos de voos anteriores e despachantes operacionais. Os investigados estão proibidos de deixar o país, e a corporação pediu à Anac a suspensão de seus registros profissionais. Em 2025, a agência cassou o Certificado de Operador Aéreo da Voepass, que também acumulava dívidas superiores a R$ 400 milhões.
Fonte: g1.globo.com
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