

Eventos extremos ampliam riscos à saúde pública em Ribeirão Preto
Calor intenso, chuvas fortes, queimadas e períodos de seca aumentam a ocorrência de problemas respiratórios, doenças transmitidas por mosquitos e a demanda por atendimento médico em Ribeirão Preto. Especialista defende um plano municipal integrado de adaptação climática em saúde.
As variações climáticas associadas ao El Niño têm elevado os riscos à saúde dos moradores de Ribeirão Preto. Episódios de calor extremo, chuvas intensas, queimadas e seca afetam as vias respiratórias, favorecem a proliferação de mosquitos e podem sobrecarregar o sistema de atendimento médico.
Segundo Ana Paula Morais Fernandes, especialista em Imunologia e Doenças Infecciosas da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP, mudanças no calor e nas chuvas podem alterar os locais de reprodução dos mosquitos e o desenvolvimento de vírus nesses vetores. Enchentes também podem contaminar a água com microrganismos provenientes do esgoto.
A procura por atendimento tende a crescer em dias quentes e secos, com registros de desidratação, tontura, queda de pressão, fraqueza, dor de cabeça, confusão mental, desmaios e insolação. Crianças, idosos, pessoas com doenças crônicas e trabalhadores expostos ao sol estão entre os grupos mais vulneráveis. Confusão mental, desmaio, pele muito quente, fraqueza intensa, falta de ar e dor no peito exigem atendimento imediato, de acordo com a especialista.
Os impactos também variam conforme a estrutura urbana. Regiões com pouca arborização e muito concreto formam ilhas de calor, que podem manter as temperaturas elevadas inclusive durante a noite. Arborização, áreas verdes, drenagem, saneamento, coleta de resíduos, acesso à água e qualidade das moradias influenciam a exposição ao calor, aos poluentes e aos microrganismos.
Entre as medidas preventivas citadas estão alertas meteorológicos antecipados, organização de equipes e medicamentos, pontos de hidratação e acompanhamento de doentes crônicos e famílias vulneráveis pelos postos de saúde. A especialista recomenda a elaboração de um plano municipal integrado de adaptação climática em saúde, com metas, responsáveis, recursos e protocolos definidos.
A Prefeitura de Ribeirão Preto foi procurada, mas não havia respondido até o momento da publicação. O espaço permanece aberto para manifestação.
Fonte: jornal.usp.br
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