Fragmentação de dados dificulta prevenção de feminicídios, dizem especialistas
Foto: Agência Brasil
Segurança

Fragmentação de dados dificulta prevenção de feminicídios, dizem especialistas

Especialistas defendem integração entre instituições para identificar sinais de violência e evitar a escalada até o feminicídio. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que 72,9% dos municípios com menos de 100 mil habitantes não têm serviço especializado para mulheres.

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Por Redação Paulista Diário · 21 de setembro de 2026 às 11:23
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Ameaças, agressões e descumprimentos de medidas protetivas podem anteceder feminicídios, mas a divisão dos atendimentos entre diferentes instituições dificulta a identificação da trajetória de violência. A avaliação foi apresentada durante o painel “Feminicídios e violência doméstica: por que seguimos falhando?”, realizado no 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A promotora Silvia Chakian, do Ministério Público de São Paulo, defendeu a integração entre os órgãos que atuam no atendimento às vítimas. Segundo ela, quando cada instituição registra apenas uma parte dos casos, o Estado perde uma visão completa da sequência de agressões. O delegado Julio Guebert, professor da Academia de Polícia Civil de São Paulo, também afirmou que os serviços precisam funcionar em rede.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 72,9% dos municípios com menos de 100 mil habitantes não contam com nenhum serviço especializado de atendimento à mulher. A promotora Silvia Chakian relacionou a falta de estrutura à dificuldade de as vítimas encontrarem um local para pedir ajuda.

A delegada Cristine Costa, titular da 1ª Delegacia de Defesa da Mulher, defendeu mecanismos que facilitem o registro de ocorrências. Em São Paulo, o boletim eletrônico de violência doméstica permite também solicitar medidas protetivas pelo celular. Ela ainda destacou a necessidade de preparar policiais para acolher denúncias desde os primeiros sinais de violência, sem julgamento sobre a gravidade do caso.

A promotora Juliana Tocunduva apontou a subnotificação como outro obstáculo. Em 2025, foram concedidas mais de 621 mil medidas protetivas de urgência, mas também houve 135 mil descumprimentos, segundo os dados apresentados por ela. No mesmo ano, os registros de feminicídio aumentaram 4,7% em relação ao anterior, enquanto os homicídios dolosos diminuíram.

Fonte: Agência Brasil — últimas notícias

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