Livro relata colaboração de empresas com a repressão na ditadura
Foto: © Paulo Pinto/Agência Brasil · Fonte: Agência Brasil — últimas notícias
Brasil

Livro relata colaboração de empresas com a repressão na ditadura

A obra “Repressão Sociedade Anônima” investiga como montadoras, bancos e metalúrgicas contribuíram para o aparato repressivo durante a ditadura militar. O foco da pesquisa está nos trabalhadores do Grande ABC Paulista.

PublicidadeOfertaPulso: oferta relampago o dia todo, com preco monitorado e cupom verificado.
Por Redação Paulista Diário · 1 de outubro de 2026 às 10:46
Compartilhar

Lançado em São Paulo, o livro Repressão Sociedade Anônima reúne três anos de pesquisas documentais e entrevistas para descrever a cooperação entre empresas e órgãos de repressão durante a ditadura militar brasileira. A obra foi escrita por Eduardo Reina e Maria Angélica Ferrasoli e é publicada pela Editora Alameda.

Os autores concentraram a investigação em cinco montadoras: Mercedes-Benz, Volkswagen, General Motors, Scania e Ford. Segundo o livro, trabalhadores da região do Grande ABC foram observados, fichados, perseguidos, demitidos, presos e torturados.

A pesquisa também aborda o financiamento de equipamentos para estruturas ligadas à repressão, a presença de militares e informantes dentro das fábricas e a circulação de listas de trabalhadores envolvidos em greves. De acordo com os pesquisadores, essas listas podiam dificultar a contratação dos funcionários por outras empresas.

Outro eixo da obra trata das condições de trabalho e da situação das mulheres. Os relatos reunidos mencionam acidentes, assédio, controle do tempo de uso do banheiro e restrições ao acesso a papel higiênico.

Os pesquisadores afirmam ter identificado um braço do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) em São Bernardo do Campo, chamado no livro de “Dopinho do ABC”. Segundo eles, o local era usado para prender e torturar trabalhadores, ativistas sindicais e integrantes de movimentos sociais.

A Agência Brasil informou que procurou as cinco montadoras citadas. A Volkswagen mencionou um termo de ajustamento de conduta firmado com o Ministério Público; a Scania declarou repudiar violações de direitos humanos; a Mercedes-Benz disse não ter identificado evidências de suporte à ditadura; a GM negou envolvimento; e a Ford não se manifestou aos autores. O Ministério Público de São Paulo havia divulgado relatório apontando que a Volkswagen contribuiu intensamente com o aparato repressivo, com conhecimento da direção da empresa.

Fonte: Agência Brasil — últimas notícias

PublicidadeOfertaPulso: as ofertas do dia no seu WhatsApp. Grupo publico e gratuito, saia quando quiser.
Compartilhar

← Voltar ao início de Paulista Diário

Newsletter

Newsletter em preparação.

Continue acompanhando as notícias pelo portal.